Pr. H. Kennedy Passos
INTRODUÇÃO
Uma das marcas da Igreja de Jesus Cristo é a pregação do Evangelho. O apostolo Pedro cheio do Espírito Santo, levantou-se para pregar At 2.14. Ele não trovejou palavras de sabedoria humana. Não discursou ensinando à multidão apenas princípios religiosos. Sua mensagem foi poderosa não por causa da eloqüência, mas por causa do conteúdo, ungido pelo óleo do Espírito. Em todos épocas e períodos da Igreja de Jesus Cristo encontraremos homens e mulheres sendo verdadeiros mensageiros do Evangelho, é razão da existência da igreja. Hoje mais do que nunca precisamos de pregadores anunciando as Boas Novas ao mundo perdido, essa é tarefa de todo verdadeiro cristão.
O chamado de Deus para o ministério da pregação é diferente do chamado à salvação e do chamado que atinge todos os crentes. Trata-se de uma convocação de pessoas “selecionadas” para servir como líderes da igreja. Os destinatários desse chamado precisam ter a certeza de que Deus assim os escolhe para liderar. A concretização desse fato repousa sobre quatro critérios, o primeiro dos quais é uma confirmação deste chamado por outras pessoas e por Deus, pelas circunstâncias através das quais Ele providencia um lugar no ministério. O segundo critério é a posse das habilidades necessárias ao serviço em posições de liderança. O terceiro consiste em profundo desejo de servir no ministério. Em quarto é um estilo de vida caracterizado por integridade moral. Um cristão que preencha esses quatro requisitos pode descansar na certeza de que Deus o chamou para a liderança vocacionada.
O chamado interno é uma conseqüência do contínuo poder de direção ou de evocação do Espírito Santo que, a seu tempo, conduz o indivíduo para perto do chamado externo da igreja, ou seja, para o ministério. O chamado externo é um ato da comunidade cristã que, pelo devido processo, confirma aquele chamado interno. Ninguém pode cumprir a difícil tarefa de ser um pregador eficaz adequadamente se não for chamado e comissionado por Cristo e pela Igreja.
O preparo é indispensável para uma boa formação do pregador eficaz. A uma urgência de pregadores que tenham não somente o chamado divino, mas que busquem o preparo ideal para o serviço cristão.
Esperamos que o conteúdo desta matéria possa contribuir para a formação de todos quantos desejam utilizar a arte de pregar, como meio de divulgação e implantação do reino de Deus entre os homens.
CARACTERÍSTICAS DO PREGADOR EFICAZ
Ø Apego à visão da multiplicação
O pregador eficaz deve apegar-se, agarra-se à visão da multiplicação. As pessoas não são apenas preciosas aos olhos de Deus; elas têm um grande potencial a ser utilizado por Ele. Deus quer multiplicar nossas vidas e ministérios através do ministério da pregação. O pregador eficaz precisa entender que o seu ministério influenciara outros a realizar a obra de Deus.
Este princípio é visto na vida de Paulo. “Quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e vi que o Senhor me havia aberto a porta, ainda assim, não tive sossego em meu espírito, porque não encontrei ali meu irmão Tito. Por isso, despedi-me deles e fui para a Macedônia” (2 Co 2. 12,13).
Quando se estuda a Bíblia, descobre-se que Deus sempre se preocupou com o indivíduo. As multidões estarão sempre no coração de Deus, mas parecem ser o pano de fundo do cenário da eternidade. No centro do palco, o cristão, a quem Deus usa para multiplicação do ministério, é o principal foco. A pregação eficaz gera novos pregadores compromissados com a genuína pregação do Evangelho.
Testemunha Eficaz
O pregador eficaz é uma testemunha do Evangelho de Cristo (At 1. 8). É comum, ao alcançar esse estágio da vida cristã, cair no laço do “comodismo”, em vez de engajar-se cada vez mais na luta pela salvação e formação de outras pessoas. Se o pregador mantiver-se ativo na transmissão da mensagem divina, três coisas ou aspectos ocorrerão:
1. A fileira dos novos convertidos aumentará.
2. Será exemplo para os que almejam o ministério da pregação.
3. Atrairá para perto dele os que têm espírito de guerra, que gostam de enfrentar batalhas e tem no peito a chama ardente da causa de Cristo.
Caso o pregador não se mantenha ativo, começará a negligenciar algumas áreas vitais da sua vida cristã, pois é fácil deixar levar-se por coisas que aparentemente são “importantes”. O pregador eficaz fora chamado para ser uma testemunha eficaz.
Voluntariedade
O que se espera da vida de um pregador é a voluntariedade. É difícil operar de acordo com esse modelo numa era que diz: “Nunca se apresente como voluntário para nada”. No entanto, o espírito de voluntariedade é o espírito de Cristo. Jesus não foi à cruz à força, gritando. Subiu para Jerusalém sabendo o que lhe aguardava (Mc 10.32-34).
Aqueles que desejam ser pregadores têm que desenvolver um espírito voluntário. Um exemplo clássico dessa entrega total pode ser visto na vida de Isaias: “Depois disto ouvi a voz do Senhor que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8). Este é o espírito de todo pregador eficaz.
O Pregador Eficaz
Vejamos algumas características da mensagem que o apostolo Pedro proclamou. Entre as muitas mensagens encontradas na Bíblia esta servira de modelo para o pregador eficaz.
Uma Pregação Cristocêntrica na sua Essência. Atos 2.22-36.
O sermão de Pedro no Pentecoste teve quatro argumentos:
a) A Morte de Cristo – A cruz não foi um acidente, mas parte do plano eterno de Deus (At 2.23; 3.18; 4.28 e 13.29). “A Cruz Não é o Fim!” A cruz não foi uma derrota para Jesus, mas uma exaltação. Ele marchou para a cruz como um rei para sua coroação. Foi na cruz que Ele conquistou para nós eterna redenção e triunfou sobre o diabo e suas hostes, expondo-os ao desprezo. Foi na cruz que Deus provou da forma mais eloqüente seu amor por nós e seu repúdio ao pecado. Na cruz, a paz e a justiça se beijaram. Cristo não morreu na cruz como mártir. Ele espontaneamente se entregou por nós. A cruz não foi um expediente de última hora, mas um plano eterno que nos revela a santidade de Deus e o seu amor incomensurável.
b) A Ressurreição de Cristo (At 2.24,32). Não adoramos um Cristo morto, vencido, preso à cruz, impotente, mas o Jesus vitorioso, que triunfou sobre a morte, derrotou o pecado, desfez as obras do diabo, cumpriu a lei, satisfez a justiça de Deus e nos deu eterna redenção.
c) A Exaltação de Cristo (At 2.33). Ao consumar sua obra aqui no mundo, Jesus ressuscitou em glória e comissionou seus discípulos a pregar o Evangelho em todo o mundo, a cada criatura. Depois, voltou para o céu, entrou na glória, foi recebido apoteoticamente pelos anjos e assentou-se à destra do Pai, para governar a Igreja, interceder por ela e revesti-la com o poder do seu Espírito.
d) O Senhorio de Cristo (At 2.36). Jesus é o Senhor e Rei sobre tudo e todos. Ele exerce autoridade suprema sobre nossa vida. O conteúdo da mensagem de Pedro foi Jesus, e Jesus somente. Quando o Espírito vem sobre nós com poder, não temos outro tema a pregar.
O ministério do Espírito Santo é exaltar a Jesus (Jo 16.13,14). Uma vida cheia do Espírito Santo é uma vida cristocêntrica. O pregador eficaz transmite somente a Jesus Cristo, ele não lança luz de si mesmo. Ele não exalta a si mesmo. Ele projeta luz na direção de Jesus. O Espírito Santo aponta para Jesus e o exalta através do pregador eficaz.
Uma Pregação Eficaz Quanto ao Propósito
“Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” (At 2.37). A pregação de Pedro explodiu como dinamite de Deus no coração da multidão. Produziu uma compulsão de alma. Foi um sermão que causou impacto nos corações. Pedro não ficou contornando o assunto, não procurou agradar ao auditório, não pregou mensagem açucarada apenas para estímulos. Essa pregação direta, corajosa e confrontadora geraram neles profunda convicção de pecado. Vemos hoje pouca convicção de pecado em nossa sociedade. A alma de alguns pregadores não mais se aflige ao ver as pessoas correndo para o fogo do inferno, são insensíveis demais, com os olhos enxutos demais, com o coração duro demais.
O pregador eficaz precisa de quebrantamento, unção e uma completa dependência do Espírito Santo, ele transmite uma mensagem cristocêntrica. Havia um propósito na mensagem de Pedro. Qual? Entre os aspectos encontrados destacaremos a crucificação de Jesus (At 2.23; 3.13; 4.10; e 5.30). Essa é a mensagem que a humanidade precisa ouvir, e não mais um esboço ou um sermão “industrializado” ou “condicionado” a costumes meramente humanos. O pregador eficaz tem um propósito definido, pregar a Cristo e este crucificado. O apostolo Paulo recomenda o jovem pregador Timóteo a pregar somente a Jesus Cristo.
Uma Pregação Clara em suas Exigências
“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo...” (At 2.38). Pedro não tinha o propósito de entreter o auditório nem confortá-lo. Antes de falar de cura, ele revelou à multidão a sua doença. Antes de falar de salvação, mostrou que eles estavam perdidos. Antes de pregar o Evangelho, anunciou a lei. Não há salvação sem arrependimento. Ninguém entra no céu sem antes saber que é pecador. Pedro mostrou que a maior urgência para o pecador é a mudança de mente, a mudança de coração e a mudança de vida. Ele falava a um grupo extremamente religioso. Jerusalém era a capital mundial da religião. Toda aquela gente tinha ido a Jerusalém para uma festa religiosa – não é muito diferente em algumas localidades do Nordeste Brasileiro – Pedro mostra, assim, que não basta ser religioso. Mas mostra também que não é suficiente mudar de religião, é preciso mudar de vida. O brado de Deus que ecoa do céu para todos é: Arrependei-vos! Temos visto hoje uma mudança preocupante na pregação. A mensagem de arrependimento esta intimamente ligado à pregação de todos os homens e mulheres de Deus em todos os tempos e lugares. A Bíblia nos traz vários relatos acerca deste tipo de mensagem. Consideramos a mensagem clássica de arrependimento a mensagem do profeta Jonas aos ninivitas, o tema gira em torno do arrependimento, e seu resultado foi a conversão de toda aquela cidade. É a mensagem urgente que o pregador eficaz precisa proclamar nestes últimos dias.
Uma Pregação Especifica Quanto à Promessa
Atos 2.38 fala de duas promessas para quem se arrepende: uma está ligada ao passado e outra ao futuro: “...para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”. Depois do arrependimento há “remissão de pecados”, perdão e salvação. Pedro está mostrando que, sem perdão, sem purificação, não existe uma vida plena em Deus. Depois do acerto de vida com Deus, há derramamento do Espírito. Primeiro, preparamos o caminho do Senhor, aterramos os vales, nivelamos os montes, endireitamos os caminhos tortos e aplainamos os escabrosos; então Deus se manifesta em todo o seu fulgor, trazendo salvação. Nunca é fácil a tarefa do pregador eficaz. Primeiro, o povo se volta para Deus de todo o coração, com choro, jejuns, rasgando o coração; depois o Espírito é derramado (Jl 2.12,13, 28). Primeiro, restauramos o altar do Senhor que está em ruínas, colocamos sobre o altar a nossa oferta, depois o fogo de Deus desce (I Rs 18.30-39). São inúmeros os pregadores que não dependem mais da unção do Espírito Santo. O que precisamos entender é que toda a obra de Deus depende inteiramente do Espírito Santo, seja na área da conversão como na transmissão do Evangelho.
Uma Pregação Vitoriosa Quanto aos Resultados
“Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo o acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (At 2.41).
Quando a pregação é regada pelo orvalho do Espírito, ela produz frutos abundantes. Onde o Espírito é derramado, há conversões abundantes. As pessoas mortas em delitos e pecados renascem para a vida como os salgueiros junto às correntes de águas (Is 44.4). A pregação de Pedro não apenas produziu conversões abundantes, mas também frutos permanentes. Eles não eram crentes flutuantes, beija-flores, sem raízes e sem compromisso. Entre os muitos efeitos produzidos através da mensagem do Evangelho esta o engajamento daqueles que são influenciados pela mensagem transmitida pelo pregador eficaz. O que temos observado em alguns púlpitos são mensagens “frias” e sem nenhum teor de vitória.
Hoje é difícil manter em dia o rol de membros da igreja local. As pessoas entram pela porta da frente e, ao sinal da menor crise, buscam uma fuga pela porta dos fundos.
A marca de uma mensagem vitoriosa revelara que tipo de conversos estão sendo formados em nossas igrejas. Quando Pedro transmitiu a mensagem do Evangelho em sua essência, o resultado foi uma mudança radical em seus ouvintes, a tal ponto que novos discípulos foram gerados.
